quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Por um Natal menos hipócrita, ou, os fantasmas dos natais passados



Final de ano, de novo.
Correria: enfeitar a casa, comprar presentes, abastecer a geladeira e os armários com comidas e bebidas, cartões de Natal e Boas festas (é, ainda se usa isso!) e mais um turbilhão de coisas. E ficamos quase loucos.
Atualmente, como virou moda para tudo, inventaram o tal "Stress de final de ano". Normalmente não acredito nestes distúrbios modísticos que aparecem a cada dia, mas neste, com certeza acredito.
Além de toda a correria descrita alí no início, vou demonstrar o que me leva a acreditar que este talvez seja um dos piores momentos do ano na vida de qualquer ser humano!

- Tudo está mais caro. Com a desculpa da lei de oferta e procura é inevitável. Semana passada estive no açougue, onde um dos atendentes me perguntou se já não queria garantir o pernil que estava num ótimo preço. Já comentou que esta semana os preços irão subir. Inclusive com uma nova desculpa. Gado, aves e suínos terão seus preços mais altos por culpa da tragédia em Santa Catarina, um dos grandes produtores destas carnes. Dos chamados "produtos de época" então, não preciso nem comentar.

- Trânsito está um caos. Não sei se em sua cidade isso também ocorre mas, como estou ao lado de São Paulo, o inferno no trânsito só piora nesta época.

- O dilema: pagar contas ou fazer contas. A grande maioria da população está endividada. Fato. E a pressão desta época leva os mais impulsivos a só aumentarem seus problemas.

- Guerrilha da mídia. Chega a ser um crime a imposição de promoções de tudo quanto é tipo neste período. Se você não tem um móvel novo, um celular novo, ou até um carro novo, você não é normal. A coisa é passada desta forma.

- Amigo secreto. Neste item podemos ter vários: empresa, família, condomínio, academia. Além da dúvida na hora do presente, a provável decepção quando recebe o seu. E ainda ter que aparentar o "espírito natalino" com cara de idiota feliz na hora de cumprimentar alguém que você mal conhece.

- Festa de final de ano da empresa. Esta é especial. Você passa horas, muitas vezes num local que não te agrada, fazendo média com seus superiores ou enchendo a cara com os amigos. Se você não der nenhum vexame, já saiu no lucro, vai poder fazer parte da turma que vai zoar aquele(a) mais exaltado que resolveu fazer streptease sobre a mesa, ou fez aquele assédio catastrófico achando que tinha chances.

E finalmente, o grande dia.

Depois de ter recebido aquela "tão esperada" (ai, ai, ai) ligação, você, sem alternativa, aceita o convite da reunião familiar.
Natal ou Ano novo, não importa. O enredo é praticamente o mesmo.
Vai comer o que sempre comeu, beber o que sempre bebeu, e aturar o que sempre aturou.
A tia, que você só encontra nesta época, que vive pensando que você ainda é criança e te trata como tal, mas não te poupa de ouvir todo o seu relatório médico do ano.
Pessoas diversas, de qualquer parentesco, que não te ligam nem uma vez ao ano (e por que você o faria?) e te tratam como se tivessem te visto ontem, como se frequentassem sua casa todos os dias.
Enfim, uma bela e feliz família que faz de tudo para parecer feliz e normal, na maior prova possível de hipocrisia que um ser humano pode dar. E dali alguns dias você ainda vai ter que ouvir alguma fofoca de alguma hora da festa, ahhh vai.

Meia noite. Fogos, brindes, sorrisos. E todo mundo desejando a "Paz e a União Mundial". Que lindo!
Você tem isso dentro da sua casa?
Na empresa que trabalha?

Eu já consegui abolir boa parte dos itens acima de minha lista de final de ano.
Não me rendo mais ao marketing, à correria de compras e trânsito, à usar uma máscara nesta época.
O meu "espírito natalino" está presente no meu dia a dia, na sinceridade que trato os verdadeiros amigos, na claridade com que trato todos os meus relacionamentos.

No Natal, prefiro parabenizar o aniversariante e estar em paz, ainda que só, ou com algumas poucas pessoas a quem realmente quero bem.

No Ano novo, prefiro desejar que eu seja melhor a cada dia, e que tenha condições de fazer a minha parte de diferença no mundo.

Essa é a atitude que resolvi colocar na minha vida, por um Natal e Ano Novo menos hipócrita e acabar com os fantasmas dos natais passados...

Que você seja melhor a cada Natal e a cada Ano Novo!

8 comentários

Helena disse...

Como em tudo, o stress somos nós que criamos.
Se não queremos ir a festas, não vamos. Se não queremos dar presentes pura e simplesmente dizemos que este ano não há € para presentes. Se não queremos entrar em stress de compras, não entramos.

Claro que as vezes me aborrece o crescente número de pessoas nos supermercados, centro-comerciais, lojas e afins. Tal como me aborrece os anuncios repetitivos dos perfumes, brinquedos, bombons, ... E claro sem esquecer o permanente pedinchar para tudo o que é acções de caridade.

Mas também gosto das caras espectantes dos miudos. Dos enfeites nas lojas e ruas. Dos almoços em familia e rever amigos ... No fim o Natal é isso mesmo e nos momentos mais oborrecidos lembro-me que os momentos mais felizes compensam isso tudo.

Nandaschme disse...

Olá Helena!
Não são muitas as pessoas que tem o desprendimento para tomar atitudes assim. A maioria age mesmo por impulso, seguindo as conveniências, os padrões sociais.
Quanto aos miúdos, como citou, fico com dó por terem a cada dia um natal com menos fantasia.
Não sei se onde você mora acontece o mesmo, mas aqui, até os enfeites de natal estão ficando raros nas ruas e casas. Uma das poucas coisas que ainda sobram é mesmo a inocência e o sonho dos pequenos.
Um abraço e obrigada pela visita!

cozinhamasculina.com.br disse...

Testo ótimo, mas a hipocrisia é moda a décadas e estamos muito longe de acabar com ela, pois os hipócritas são os que mais compram e é deles que o mercado consumista se abastece.
Sucesso sempre
Beijos

Alexandre disse...

Concordo com cada palavra escrita em seu texto ainda não sei exatamente em qual momento comecei a odiar o final de ano mas a cada ano tenho me isolado e acreditado menos nas pessoas e realmente quero estar ao lado somente de quem vale a pena !
Parabéns você é um sucesso !
Um Abraço

Nandaschme disse...

Olá Giba! Obrigada!
E é verdade. Existem pessoas que ficam totalmente ansiosas pensando somente em troca de presentes ou férias. Para isso você não precisa necessariamente esperar o final de ano. Acabam misturando tudo!!!

Nandaschme disse...

Olá Alexandre!
Também não sei quando passei a não gostar mais deste novo "modelo" de final de ano. Quanto ao isolamento, acredito que isso tem se tornado uma constante. A cada dia, mais e mais pessoas começam a construir um casulo em torno de sí. Com os fatos que temos visto, acabamos por perder a confiança, a segurança, e muitas outras coisas boas. Nos fechamos a cada dia. Vestimos armaduras e procuramos, dentro do possível, proteger quem nos é querido.
A parte do sucesso é pura bondade sua, rs.
Abraço e obrigada pela visita!

Darcy Mendes disse...

Ufa!Fiquei feliz de ler seu texto. Pensei que era só eu que não se importava com o natal.

Veja a surpresa de gente que colocou o carro no estacionamento no centro da cidade (Sorocaba) nestes últimos dias sem perguntar o preço. Tinha uns cara-de-pau que na hora de você sair cobravam 20 reais pelo estacionamento. O natal é isso aí! Puro consumismo e exploração!

Escrevi um texto também sobre o tema.

Abraços

Nandaschme disse...

Olá Darcy!
Na realidade, não creio que não nos preocupemos mais com o Natal. O grande problema é este rótulo errado que passaram a colocar nesta data.
Você vê como são as coisas, quando seria o período da tão falada "fraternidade", encontramos exemplos como o que você citou. Ridículo isto!
Um Abraço!

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